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PINTURA

POUCA TERRA, POUCO TUA | 2015

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“Pouca Terra, Pouco TUA”, é um projeto intitulado por Manuela Pimentel, durante o seu percurso Academico, baseado num “Problema Patrimonial”, sobre e o por ela denominado como as ´linhas da terra´, as linhas do TUA, considerada como uma das afluentes da linha do Douro.

 Atualmente esse “problema” enraizou o desaparecimento da linha assim como o murmurio das pessoas que nela habitavam, inundadas de memorias e reflexos consecutivos.

Manuela Pimentel reune fragmentos de desenhos, fotografias e registos escritos em viagem,  justificando os pontos de partida essenciais que a motivaram e conduziram à prática da repetição da  imagem, num formato de leitura visual contínua, inserida num contexto real de viagem e observação do mundo delimitado pelo enquadramento da janela.

Através de uma  janela de comboio observa reflexos sobrepostos  inseridos sempre na sequencia da paisagem.

JAS

“Linhas da terra...

...as mesmas linhas que desenharam o desenvolvimento natural no tempo,... um tempo num lugar em que tudo parece subitamente possível e impossível...

..um monstro que hoje faz parte do imaginário daqueles que o recordam com saudade e que ainda o ouvem com o ouvido bem encostadinho nos ferros dos carris, como se conta nas lendas...

Memórias de reflexos de imagens que vagueiam pelas janelas de um comboio num imaginário observado por qualquer  viajante, imagens que se repetem e que correm como o vento pelo olhar mais distraído de quem quer ver, é muitas vezes nesta confusão de paisagem imagens que se repete a minha mensagem, vezes e vezes sem conta.

Uma viagem que, não só nos permitia usufruir da paz e da serenidade de paisagens quase inigualáveis, como também se tratava de um fio condutor.

No mínimo, pretendo lançar um grito de alerta para os inconvenientes irreversíveis. Sendo esta uma região, única no património natural e cultural português, percorrendo e conhecendo a sua grande sensibilidade, o que para mim é rever vivendo com emoção a percepção da necessidade de nos assegurar-mos da conservação de um património que é único em Portugal.

...hoje, são quilómetros de linhas enfurrejadas, edifícios abandonados, túneis e viadutos em ruínas, ...

Como as estações condicionam toda uma vida, a sucessão dos gestos e a sua malha apertada de funcionalidades e significações...

São as linhas da terra que semeiam o percurso da memória.

Neste sentido a segunda fase do percurso transporta-nos em dois movimentos, um é movimento do comboio, o outro são as árvores que se mexem consoante a velocidade e o reflexo, pelo que temos dois movimentos paralelos, cada um dos quais corresponde ao outro. Além disso, há a simplificação das árvores em linhas que ditam formas que nos iludem num paralelismo elementar. É uma espécie de associação de reflexos numa memória de árvores cortadas em série num trajecto que se desloca no tempo e no espaço imaginário.

Linhas que seguem paralelas em janelas repetidas,

reflectindo os troncos em linhas cortadas.”

Manuela Pimentel

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